PAPA PEDE RESPEITO PELA VIDA

Médicos querem retirar suporte artificial que mantém vivos os dois pacientes

O Papa Francisco interveio hoje publicamente no debate sobre dois casos de doentes a que os médicos querem retirar o suporte artificial vital, apelando ao “respeito pela vida”.

O pontífice, que falava perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, referiu-se especificamente ao francês Vincent Lambert, que há dez anos vive exclusivamente com meios de suporte de alimentação e hidratação artificiais, no Hospital de Reims; e ao pequeno Alfie Evans, de 23 meses, internado em Liverpool, Inglaterra, com uma doença incurável e degenerativa, que vai ser desligada das máquinas por ordem da Justiça britânica.

Francisco recordou, partindo destas situações, “os que vivem, por vezes durante muito tempo, num estado grave de doença, assistidos medicamente para as suas necessidades primárias”.

“São situações delicadas, muito dolorosas e complexas. Rezemos para que cada doente seja sempre respeitado na sua dignidade e cuidado de forma adequada à situação, com o contributo concordante dos familiares, dos médicos e dos outros profissionais de saúde, com grande respeito pela vida”

No último dia 5 de abril, o Papa tinha recorrido à sua conta do Twitter para manifestar apoio aos pais de Alfie Evans, criança inglesa a que um hospital de Liverpool vai desligar das máquinas.

“É minha sincera esperança que seja feito todo o possível para continuar a acompanhar o pequeno Alfie Evans e que o profundo sofrimento de seus pais seja ouvido”, escreveu Francisco.

Um juiz decretou que o hospital pode desligar o suporte que garante a vida da criança, apesar da oposição dos pais e de milhares de pessoas, e esta quarta-feira determinou um dia e hora para que se desliguem as máquinas, data que vai ser mantida em sigilo.

O caso recorda o de Charlie Gard, que faleceu em julho de 2017, após uma batalha judicial entre os seus pais e o Estado.

Na sua catequese de hoje, o Papa falou do corpo humano como “um magnífico dom de Deus”.

“Somos, por isso, chamados a ter grande respeito e cuidado pelo nosso corpo e pelo corpo dos outros”, sublinhou, antes da recitação da oração pascal do ‘Regina Coeli’.

Segundo Francisco, qualquer ofensa, ferida ou violência ao corpo de um ser humano é “um ultraje ao Deus criador”.

“O meu pensamento dirige-se, em particular, às crianças, às mulheres, aos idosos maltratados no corpo. Na carne destas pessoas encontramos o corpo de Cristo”, advertiu.

O Papa denunciou as “escravaturas” contemporâneas, num mundo em que “prevalece a prepotência contra os mais fracos e o materialismo sufoca o espírito”.

O encontro de oração foi acompanhado por um grupo de fiéis de Madagáscar, no dia em que é beatificado, nesta ilha, o mártir Luciano Botovasoa.

Francisco deixou um elogio ao novo beato, “preso e morto” por causa da sua fé cristã, que apresentou como “um exemplo de caridade e fortaleza na fé”.

O Papa lamentou, depois, a notícia da morte de três homens que tinham sido sequestrados, no final de março, junto à fronteira entre o Equador e a Colômbia, deixando uma palavra de solidariedade aos familiares e a todo o povo equatoriano, para que se mantenha “unido e pacífico”.

EUA, França e Reino Unido realizaram um ataque à Síria na sexta-feira, 13; Papa pede que prevaleçam a justiça e a paz

Da Redação, com Boletim da Santa Sé 

Papa reza novamente pela Síria, apelando a responsáveis políticos para que prevaleçam a justiça e a paz / Foto: Reprodução Youtube – Vatican News

O Papa Francisco renovou neste domingo, 15, seu apelo pela paz na Síria, país que sofreu um ataque realizado por Estados Unidos, França e Reino Unido na última sexta-feira, 13. Após a oração do Regina Coeli, o Papa se disse transtornado com essa situação no mundo.

“Estou profundamente transtornado com a atual situação mundial em que, não obstante os instrumentos à disposição da comunidade internacional, não se consegue concordar uma ação comum a favor da paz na Síria e em outras regiões do mundo. Enquanto rezo incessantemente pela paz, e convido todas as pessoas de boa vontade a continuarem a fazer o mesmo, apelo novamente a todos os responsáveis políticos, para que prevaleçam a justiça e a paz”.

Na sexta-feira, 13, os Estados Unidos, França e Reino Unido iniciaram a ofensiva contra a Síria, com a realização de ataques a alvos na capital Damasco e Homs. A ação foi uma resposta ao suposto ataque químico contra a cidade síria de Duma, perto da capital, em 7 de abril.

Os presidentes do Irã, Hassan Rohani, e da Rússia, Vladimir Putin, condenaram a ofensiva. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse em sua conta no twitter que o ataque à Síria foi um crime e não conseguiu alcançar os objetivos.

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