O LEGADO ESPIRITUAL DE SANTO AFONSO MARIA

  A HERANÇA ESPIRITUAL 

Considerando todos os diferentes tipos de trabalhos que Santo Afonso fez para o reino de Deus, pode parecer precipitado tentar estabelecer sua maior realização. Entretanto, talvez a maior delas tenha sido sua habilidade em pregar o Evangelho e explicar a espiritualidade Católica de maneira que as pessoas simples pudessem prontamente entender. A popularidade mundial de seus escritos espirituais pode ser atribuída à sua intuição compreensiva da condição humana e ao seu estilo prático. Embora seja impossível resumir num pequeno livrete todos os ensinamentos espirituais de Santo Afonso, o panorama apresentado aqui pode nos suprir de luz e inspiração. As questões seguintes são essenciais ao entendimento do que é freqüentemente chamado de “espiritualidade afonsiana”. Elas abrangem o que designamos como seu legado espiritual.


553186_353451241467644_1739427460_n1 – Nosso chamado à Santidade

Diferente dos severos professores de seu tempo, Santo Afonso afirmava que Deus chama todos os homens e mulheres à santidade. Não era necessário, insistia ele, correr para o deserto ou entrar para um monastério a fim de alcançar a santidade Cristã; não era obrigatório que alguém desistisse do “mundo”, do casamento ou da família. Uma citação explica sua opinião: “É um grande erro dizer: Deus não quer que todos sejam santos. São Paulo disse: ‘A vontade de Deus é esta: a vossa santificação’ (1Ts 4,3). Deus quer que todos se tornem santos, cada um em sua ocupação; o religioso exatamente como um religioso, o secular com um secular, o padre como um padre, o casado como uma pessoa casada, o comerciante como um comerciante, e as outras pessoas de acordo como caminham na vida”.

2 – O Amor de Deus por nós
tumblr_lx0x8uyuQP1qiidado1_1280Para Santo Afonso, santidade significa o amor de Deus. Tudo mais é secundário. O Amor vem primeiro. A frase “o amor de Deus” tem duas dimensões: o amor de Deus por nós e nosso amor por Deus, em retribuição. Santo Afonso tentou de diversas maneiras fazer com que as pessoas compreendessem o quanto Deus as ama. Um tema sempre presente em seus escritos: Lembre-se o quanto Deus tem amado você! Uma típica frase sua: “Se o amor de todas as pessoas, todos os anjos, todos os santos fossem colocados juntos, eles não se igualariam à menor parte do amor de Deus por você”. Esse amor de Deus por seu povo é manifestado de forma visível na pessoa de Jesus – a dádiva de amor do Pai. Para Santo Afonso, Jesus Cristo é tudo! Dificilmente encontra-se uma página em seus escritos onde o nome de Jesus não aparece. Com ênfase particular ele escreveu sobre “os grandes sinais” do amor de Jesus por nós: sua Encarnação, Paixão e Morte, e a Eucaristia. Ele insiste para que todos meditem com freqüência sobre “a manjedoura, a cruz e o tabernáculo”. É digno notar que Santo Afonso escreveu um livro inteiro para cada um destes grandes mistérios cristãos. Além disso, dois de seus livretes, O Caminho da Cruz e Visitas ao Sagrado Sacramento ainda são best sellers pelo mundo.

3 – Nossa Redenção
02De todos os mistérios cristãos, a Paixão e morte de Jesus Cristo foi o que tocou Santo Afonso mais profundamente. Ele freqüentemente pregava e escrevia sobre esse fato; recomendava a todos que meditassem diariamente sobre esse tópico. Para Santo Afonso, o fato do Pai ter enviado Jesus, seu Filho amado, para sofrer e morrer pelos nossos pecados, era um sinal de “amor inacreditável”. O mistério da Redenção era um ato de amor tão grande da parte de Deus, que Santo Afonso escreveu: “Deus está com problemas, louco de amor, perdeu a cabeça de tanto amor”. A imaginação vívida e a ternura italiana de Santo Afonso estão presentes nos seus escritos sobre o sofrimento e a morte de Jesus. Entretanto, como mostra Joseph Oppitz, C. Ss. R., “sua preocupação com a Paixão não era um interesse mórbido em sofrimento, sangue e morte…, mas sim uma realização vívida do significado existencial da Cruz, passado, presente e futuro, na parcimônia da vontade de salvação de Deus”. Para Afonso, o sofrimento de Jesus era, acima de tudo, os sinais visíveis de seu imenso amor por nós. Por isso deu este conselho: “Pensando na Paixão de Jesus, não devemos refletir tanto sobre os sofrimentos pelos quais passou em conseqüência do amor com o qual perturbou as pessoas”.

4 – Nosso Amor a Deus
O grande amor de Deus por nós, manifestado em Jesus, exige nosso amor em retribuição. Em um dos livros mais famosos de Santo Afonso, A Prática do Amor a Jesus Cristo, a frase inicial é esta: “A total santidade e perfeição de uma alma consiste em amar Jesus Cristo, nosso Deus, nosso bom soberano e nosso Redentor”.

Porém, como nós humanos podemos responder melhor ao amor de Deus? Para Santo Afonso, é imitando Jesus, que disse de si mesmo:

“Porque desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade de quem me enviou”(Jo 6,38).

Ecoando este princípio evangélico, Santo Afonso desenvolveu um resumo básico a respeito de nossa resposta ao amor divino. Neste resumo, temos o que é mais característico da espiritualidade de Afonso: “Toda santidade consiste no amor de Deus, e este amor consiste em conformidade à vontade divina; assim, toda santidade consiste em conformidade à vontade divina”.
Em sua grande intuição, Santo Afonso sabia o quanto seria fácil nos enganarmos na vida espiritual. “Algumas pessoas, escreveu Afonso, desejam tornar-se santos, mas à sua maneira. Elas querem amar Jesus Cristo, mas a seu modo… Elas amam a Deus, mas em seus termos.”

O verdadeiro teste de amor é nossa aceitação da vontade divina. Afonso dizia que esta vontade está manifestada nas Escrituras, a Palavra Viva de Deus, e na Igreja, guiada pelo Espírito que ensina questões de fé e moral com a autoridade do próprio Deus. Além disso, a vontade divina nos é mostrada nos deveres e responsabilidades da nossa vocação – e muito concretamente, nas circunstâncias particulares da nossa vida aqui e agora . “O ponto principal está em abraçarmos a vontade de Deus em todas as coisas que nos acontecem, não apenas quando estas são favoráveis ao nossos desejos, mas quando são também contrárias. Quando as coisas vão bem, até mesmo os pecadores não encontram dificuldades em estarem de acordo com a vontade divina; porém, os santos também estão de acordo nas circunstâncias contrárias ao seu amor próprio. É nisto que é mostrada a perfeição do amor de Deus.”

5 – Nosso Amor ao Próximo
O amor a Deus sempre vem primeiro. “Este é o maior e o primeiro mandamento” (Mt 22,38). Entretanto, o amor ao próximo também é essencial porque é um mandamento “igual ao primeiro”. Santo Afonso viu uma estreita relação entre esses dois mandamentos. “Por que devemos amar nosso próximo? Porque ele é amado por Deus! Devemos amar todos aqueles que Deus ama.”

Assim como nosso amor por Deus deve ser mostrado de forma prática e concreta, devemos também mostrar nosso amor pelo próximo. Santo Afonso enfatiza que os seguidores de Jesus Cristo devem “viver pacificamente juntos” e praticarem a “tolerância mútua”. Esta paz não consegue desabrochar num coração cheio de desconfianças, amarguras ou aversões. “Se desejas praticar a bela virtude da caridade, escreveu Afonso, empenhe-se em rejeitar todo julgamento precipitado, toda desconfiança, toda suspeita infundada em seu próximo.”
Além disso, todo verdadeiro seguidor de Cristo possui o sério dever de ajudar os pobres e os necessitados. Santo Afonso dizia que devemos compartilhar com os pobres não apenas o que temos em abundância mas até mesmo, se necessário, aquilo que consideramos essencial para nós.

6 – Nosso desprendimento
Uma palavra sempre presente nos escritos espirituais de Santo Afonso é a palavra italiana distacco. É difícil traduzir esta palavra para o Português. Normalmente é traduzida como desprendimento. A idéia básica é esta: O amor de Deus deve ser a primeira prioridade para o cristão. Ele deve esforçar-se constantemente para estar de acordo com a vontade divina. Qualquer coisa que pareça vir antes do amor de Deus deve ser corajosamente colocada de lado.

Santo Afonso sabia claramente que o maior inimigo do verdadeiro amor de Deus era o falso amor ao ego. O egocentrismo, a seus olhos, era a raiz de todo mal. “Muitas pessoas fazem da vida espiritual uma profissão, escreve Afonso, mas são adoradores de si mesmos.” Este egocentrismo mostra-se na ambição exagerada, no temor ao respeito humano, no orgulho. Distaco é o esforço consciente do cristão para dominar a praga do egocentrismo.

7 – Nossos atos de mortificação
Na espiritualidade de Afonso, é a mortificação que prepara o desprendimento. A mortificação refere-se ao ideal cristão de “morrer para si”; refere-se à luta contra o egocentrismo, a fim de que o amor de Deus fique livre para crescer e desenvolver-se. É uma faceta dos ensinamentos de Jesus: “Quem procurar a sua vida, há de perdê-la; e quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la” (Mt 10,39).
Santo Afonso gostava de fazer uma distinção entre a mortificação externa e interna. A mortificação externa refere-se à disciplina dos sentidos, tais como o jejum, a abstinência, o controle das palavras, a modéstia dos olhos. A mortificação interna refere-se à disciplina do coração, isto é, o controle das paixões e do amor próprio desordenados.

De acordo com Afonso, certamente existe lugar para mortificações externas na vida dos cristãos, especialmente quando é necessário evitar o pecado ou quando a lei da Igreja exige, como é o caso do jejum e da abstinência na Quaresma. No entanto, Afonso acreditava que a mortificação interna era muito mais importante e muito mais rara. Ele escreveu sobre aqueles que se ocupam com jejuns e outras austeridades corporais, mas que ao mesmo tempo “não se esforçam para superar determinadas paixões, por exemplo, certos ressentimentos, aversões, curiosidades e apegos perigosos”. Tais cristãos, para Santo Afonso, não serão capazes de progredir na verdadeira santidade.

8 – Uso da Oração
Santo Afonso muitas vezes é descrito como “Doutor da Oração”. Por considerar a oração tão essencial para a vida cristã, escreveu vários livros inteiramente dicados a ela. De todos seus livros, considerava seus tratados de oração mais valiosos para as pessoas simples. Em suas orações, encontramos sua melhor compreensão teológica. Afonso opôs-se com vigor aos teólogos rígidos que consideravam a oração domínio apenas de uma elite espiritual. Ele dizia que orar era possível a qualquer pessoa: Deus concedeu a todos os homens e mulheres, até aos mais pecadores, a graça de orar. Devemos pedir a Deus qualquer graça de que necessitemos e ela nos será concedida!

9 – Orações para pedir
Há uma forte ênfase nos ensinamentos de Santo Afonso sobre as orações que pedem alguma coisa. Alguns professores e pregadores daquela época rebaixavam essa oração insinuando que ela não era “pura ou elevada” o suficiente para as pessoas santas. Santo Afonso rejeitava esse ponto de vista. Ele insistia que ouvíssemos, de preferência, os ensinamentos de Jesus: “Pedi e será dado; buscai e acharei; batei e será aberto” (Mt 7,7).

Se somos tentados a pensar que os santos se tornaram santos por meio de alguma fórmula mágica não disponível para o resto da humanidade, estamos errados. Para Santo Afonso, os santos tornaram-se santos porque oravam! “Todas as graças, por meio das quais tornaram-se santos, foram enviadas a eles como respostas às suas preces.” Esse mesmo caminho está aberto para cada um de nós. “Precisamos de humildade; deixe-nos pedi-la e seremos humildes. Precisamos de paciência nas tribulações; deixe-nos pedi-la e seremos pacientes. O que desejamos é o amor divino; deixe-nos pedi-lo e ele nos será dado.”

10 – Oração a Maria
De modo muito especial, Santo Afonso insistia para que rezássemos a Maria, nossa Mãe abençoada. Ele escreveu um tratado completo sobre o papel de Maria no plano de salvação de Deus: As Glórias de Maria. Por ser tão amada por Deus e responder totalmente a este amor, ela deveria ser nosso modelo na vida cristã. Além disso, Maria é capaz de interceder por nós. “Ela é cheia de graça; porém, esta plenitude não foi concedida apenas para si, mas também para que compartilhasse conosco.”

11 – A Importância da Meditação
Santo Afonso também enfatizava a meditação freqüente, isto é, a reflexão interior e a resposta à Palavra de Deus. “As verdades de fé são realidades espirituais, não podem ser vistas com olhos físicos, mas apenas com os olhos da alma, por meio da reflexão e meditação.” Muitas vezes Afonso comparava a meditação ao fogo. “A meditação afeta a alma como o fogo afeta o ferro. Se o ferro está frio, é muito duro e só pode ser moldado com muita dificuldade. Porém, coloque-o no fogo e logo ele amolece e cede aos esforços do ferreiro… Assim é nosso coração: freqüentemente duro e obstinado. Mas sob a ação das graças que recebemos na meditação, nosso coração torna-se flexível, dócil e pode ser moldado por nosso Mestre e Senhor.”
Entretanto, para Santo Afonso, a meditação não deve consistir demais em especulações abstratas sobre as verdades da fé. Muito mais importante, diz ele, é a afeição do coração que acompanha esta reflexão. “Após ter meditado sobre algumas verdades eternas, e Deus ter respondido ao seu coração, você deve também falar a Deus. Faça isto, inicialmente, dando forma às afeições, aos atos de fé, aos agradecimentos, à humildade ou esperança, mas acima de tudo através de atos de amor e contrição.

12 – Devoção à Eucaristia
A grande oração de louvor e agradecimento é a celebração do sacrifício e sacramento da Eucaristia. Santo Afonso encorajou católicos a se juntarem sinceramente na celebração da Eucaristia, fazendo os propósitos básicos pelos quais ela foi instituída, propósitos deles próprios: “Primeiro, honrar e glorificar a Deus. Segundo, agradecê-lo por todas as graças e benefícios. Terceiro, tomar satisfações de nossos pecados e dos pecados dos outros. Quarto, adquirir as graças de que necessitamos”.
Mesmo fora da Missa, como nos ensina a Igreja, a Eucaristia deve ser reverenciada com grande devoção. Esta devoção estava no coração de Afonso. Em seu famoso Visitas ao Sagrado Sacramento, ele oferta uma ampla variedade de sentimentos e orações para esta devoção. A verdade básica está contida nesta frase: “Deixe-nos, então, nos aproximarmos de Jesus com grande confiança e afeição; permita nos unirmos a ele e pedir suas graças”.

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