CARNAVAL E RELIGIÃO: UMA MISTURA ENTRE FÉ E FOLIA!

FESTA E RELIGIÃO!

É parte constitutiva da identidade do ser humano o elemento da festa. A festa interrompe o tempo cotidiano e introduz a diferença do ritual e da celebração, a fim de marcar uma ocasião especial em que é preciso deixar a rotina e voltar os olhos para o extraordinário que irrompe no tempo cronológico.

Todas as festas são eventos pelos quais se entra em “outra” ordem de coisas, onde a fantasia, a imaginação e o desejo tomam lugar. Festejar, portanto, é reafirmar nossa condição de ser humano, é sublinhar o fato de que não somos guiados apenas pelos instintos e pelo kronos (tempo) que implacavelmente passa. Festejar é demonstrar que temos algum senhorio sobre o tempo, transfigurando-o com o rito da comemoração e da celebração.

Em tempo de preparação e espera do Carnaval, as reflexões acima se aplicariam a essa festa. Somos instigados a refletir sobre o sentido e o objetivo da música e da dança, dos espetáculos cheios de luzes e cores, dos corpos desnudados e fantasiados em desfile, do samba na rua, de tudo isso que compõe os três dias que povo espera com sofreguidão. Torna-se isto ainda mais importante no Brasil, país onde o carnaval tem lugar central no calendário.

Parece que o país entra em câmara lenta no Ano Novo para só recuperar seu ritmo e dinamismo depois dos festejos momescos. Efetivamente, a maioria daqueles e daquelas que “brincam” o Carnaval conhece pouco ou nada do seu sentido mais profundo.

A primeira dimensão dos folguedos carnavalescos tem a ver com um tempo religioso, cósmico e sagrado, onde a transcendência mesma é que irrompe e transfigura o kronos. O antropólogo Roberto da Matta nos chama a atenção em seu conhecido livro “Carnavais, malandros e heróis” para o fato de que o Carnaval fica suspenso entre o Advento (tempo ligado ao nascimento de Cristo que é celebrado no Natal) e os 40 dias da Quaresma, esse período de penitência e mortificação que visa à conversão, o qual culmina com a celebração dos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, é como se todo o ritual carnavalesco, tão apaixonadamente preparado e vivido pelo povo e que tantos milhões rende aos bolsos dos donos das festas e desfiles, só deixasse brilhar seu verdadeiro sentido quando o silêncio da Quarta-feira de Cinzas se faz, com seu ritual das cinzas aplicadas em cruz sobre a testa dos penitentes acompanhado das palavras: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A quarta-feira onde tudo se acaba, proclama sua morte, que se encontra, agora, assumida pela disciplina da Quaresma, que substitui os folguedos e a descontração carnavalesca.

O Carnaval, portanto, não tem rosto próprio, já que sua identidade lhe é dada por um outro tempo e uma outra ordem de coisas e de sentido. Figura ele – ainda seguindo a Roberto da Matta – como um momento sem nome ou vez, escondido que está nas dobras de um calendário sagrado. Situada entre o nascimento e a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, a festa que é o reinado de Momo é efêmera como as alegrias e os gozos imediatos.

Ela como que assume e resume simbolicamente os momentos críticos do Natal e da Páscoa, e a numerologia cristã dos três dias de que fala o Novo Testamento. O Carnaval em si mesmo, portanto, é um evento relativo. Com todo o brilho e o ruído que atraem todos os focos de atenção, na verdade está simplesmente resumindo algo de fulgor bem maior e duradouro: os três dias de folia se referem e encontram significação no mistério cristão, já que a festa carnavalesca nasce, agoniza e morre em três dias.

Sendo um evento sincrônico, repetitivo, prenhe de conteúdos cognitivos e afetivos, o Carnaval tornou-se e passou a ser um tempo social importante, fortemente ligado à experiência vital de uma sociedade, muito especialmente da sociedade brasileira.

Em uma leitura informada pela fé, porém, e mesmo aos olhos das ciências sociais, o Carnaval só pode ser compreendido no contexto da visão de mundo cristão. Carnaval e Quaresma – no calendário cristão que rege o mundo após a queda do Império Romano – opõem-se no ciclo anual por seus conteúdos sociais e religiosos, implicando comportamentos individuais e coletivos opostos. Mas, na verdade, encontram seu ponto luminoso e iluminador na mesma pessoa de Jesus Cristo, Sol que nunca se apaga, Vivente por excelência, sobre quem a efemeridade das coisas e a corrupção da morte não têm poder.

Maria Clara Lucchetti Bingemer – Teóloga

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